Milarepa

Alo amigos da rede Grobo,

Anna já vai para a sua 2a. semana de vida. A pequenina é muito quieta e agora está mais observadora do mundo em volta dela. Deve ser uma experiência e tanto ver tudo pela primeira vez…

Eu estou terminando a biografia do Milarepa, que não é um cara muito conhecido aqui no ocidente, mas no Tibet ele é tudo. A estória dele é relativamente simples:  foi filho de um  cara poderoso  e rico, que morreu cedo e fez o erro de deixar tudo aos cuidados dos tios, que maltrataram ele, a irmã e mãe dele. A mãe, cheia de ódio no coração jurou vingança através do filho…que foi estudar  a arte da magia negra de fazer tempestades e avalanches de pedra. Com estes conhecimentos ele destruiu a casa dos tios, matando várias pessoas e destruindo as plantações das localidades próximas.

Em um determinado ponto ele percebeu que apenas gerava sofrimento, então foi achar um caminho  para se redimir. No primeiro guru ele continuou aplicando as tecnicas de chuva de pedra, pois assim o pedia como favores…o conhecimento e as práticas não davam resultado algum…no segundo guru, Marpa, o tradutor ele foi aceito, porém foi mega maltrado e teve que construir e depois destruir para construir em outro lugar 8 casas na sequencia, sem receber grandes rações de comida. O Guru dele fez ele sofrer ao extremo…depois de muito sofrimento e muita meditação nas cavernas, vários conhecimentos foram passados do Guru para ele.

Milarepa, que se chama Jetsün, decidiu se dedicar totalmente ao desenvolvimento dos seres senscientes e passou a meditar em cavernas nos Himalaias e atingiu o grau de Bothisattva, saindo completamente da vida mundana (sangsárica) e atingindo o Nirvana. Ele morreu aos 84 anos, mas sempre repetia nas cancões que ele cantava um conceito que todos nós sabemos, mas ignoramos para tornar nossa vida mais palatável: você não sabe a hora que vai morrer.

A única coisa que é imutável na nossa vida é que um dia vamos todos morrer. É inevitável, mas a gente não pensa muito sobre isso…Jetsün pensava nisso o tempo todo e tinha nele um senso de urgência (de quem tinha feito muita maldade e acredita 100% na lei do Karma). Isso gerou um foco gigantesco e falam que ele conseguiu em uma existência o que outros vivem milhares vidas para conseguir…

A total ignorância do momento da nossa morte e do processo de morrer em si, faz com que simplesmente esqueçamos disso. Ficamos nos distraindo com os nossos divertimentos, hobbies, trabalhos, projetos, dramas, estórias passadas e ansiedades futuras e criamos uma importância gigantesca para coisas pequenas. Nós simplesmente jogamos a morte para um evento futuro, distante suficiente para que nos preocupemos apenas quando estivermos perto dele…afinal estatísticamente o ser humano tem uma expectativa de vida de X anos e está aumentando….e eu devo chegar lá. Errado! Errado! Errado! Médias e estatísticas não fazem nenhum sentido…quando é a SUA vida. Não tem como negociar depois que aconteceu (“Pô, eu ainda tinha Y anos até chegar a média…tem como quebrar um galho?”)…

A gente passa anos e anos estudando, se preparando, trabalhando e acumulando coisas que a gente não precisa. Conhece o mundo, viaja para lugares exóticos e conhece pessoas interessantíssimas, vive diversos papéis (filho, pai, subordinado, chefe, amigo, inimigo, estudante, professor, medico, paciente) mas no final a realidade é que nós muitas vezes não extraimos destas experiências e papéis o que é mais importante:  auto-conhecimento. A experiência terrena está constantemente nos lembrando da temporariedade de tudo e da ausência de controle…porquê não conseguimos nos livrar do que é transitório, mesmo quando faz sentido??

Quanto mais eu tento achar as respostas para as perguntas que tenho em relação a mim, menos eu consigo definir quem eu sou. Então mesmo que eu conseguisse enriquecer o meu auto-conhecimento, a identificação de quem sou fica dissipada. É um koan que talvez seria graficamente representado assim:

Egotrip

E deve chegar o momento que você chega a total  indefinição, ou o nada, ou seja você conhece muito sobre você mesmo, mas você chegou a conclusão que você é nada. Tá fácil….

Bom, agora que consegui confundir todos vocês, vou voltar às pequenas coisas.

Namaskar!

MW

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2 Responses to Milarepa

  1. Ivone beatriz says:

    eu sou fa nro 1 do jetzun … achoelle super interessante e ele e 1 avatar diferente dos outros pois nos mostra muito q o sofrimento tb e 1 construçao e q jamais devemos disistir por causa dele … se tu achares as cançoes do jetzun ele tem 1 grande cancioneiro … eu amaria de recebelo ! tudo isto q tu sentes eu e todos os seres alertas sentem … cada 1 tem seu geitinho e isto q nos diferencia um do outro … e 1 abeçoada diferença …. pois ela torna nossas vidas magicas e interessantes beijos namaskar mae

  2. Daniel says:

    Vejo qeu tocado pela nova vida você reflete sobre a morte, importante! Colocamos o tema como tabú no ocidente, difícil quebrá-lo, não?Tá na minha lista de livros a serem lidos: "Livro tibetano do viver e do morrer" – quem ler primeiro conta para o outro, ok?abs/namaskar!

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