Eldorado numa puxada…

Alo amigos da Rede Global,

Este final de semana eu estava precisando realmente ir para montanha…precisava colocar o corpo para funcionar para reduzir um pouco a velocidades e intensidade dos pensamentos. Semana passada foi a semana de revisão de performance e digamos que eu e a MS temos visões um pouco diferentes Disappointed smile…então eu precisava colocar um pouco de amplitude e silêncio entre os meus pensamentos.

A receita nao poderia ser melhor, fazer o Eldorado Peak em um dia. Normalmente os times fazem esse pico em 2 dias, acampando no glaciar e depois voltando para o carro..na verdade acaba sendo 1 dia e meio. Nós háviamos decidido fazer a tentativa em 1 dia e a idéia seria que levaria ao redor de 12h de exercicio mais as eventuais paradas…não é muito longo, cerca de 10 milhas ou uns 16km, mas a variação vertical é de mais de 7,000 pés em um dia (dá uns 2.300 metros de subida, ou seja mais do que 3 vezes a serra do mar).

Nós saímos de Redmond ao redor das 7:00 PM de sexta-feira e dirigimos cerca de 2:50 até a base da trilha, que fica 20 milhas depois de uma cidade que se chama Marblemount. Esta região, como vocês devem ter visto em outros posts, é muito linda…acho que um dos meus lugares prediletos até hoje. Imaginem um região não muito grande, com cerca de 1/3 dos glaciares dos EUA continental, picos maravilhosos, lagos azul-turquesa, e preservadíssimo sem a exploração turística dos Alpes…enfim é perfeito, mas não contem para ninguém. Ah e fica 3 horas de carro de casa…fala séééério!

Chegando lá armamos a barraca quase que na estrada de terra (e tem um banheiro na base da trilha)…dormimos de umas 11:30PM  até as 3:30AM, eu apaquei que nem pedra. Às 4:30AM já estavamos prontos e caminhando para a trilha…todo mundo de headlamp. Cruzamos um Rio (que estava bem caudaloso por sinal) através de uns troncos enormes, andamos quase que uns 50-60m nos troncos por cima da vegetação, muito legal…eu estava com 4 litros de água e estava carregando a corda. Devia estar com uns 8 a 10 kg na mochila. O começo do hike foi bem suave e estava me sentindo bem, mas depois de uns 20-30 min começou a subida e a coisa muda de figura…o resto do time (David, Emma, Perry e Mariana) tocaram para cima e eu começei a sofrer um pouco a falta de exercício, as preocupações no trabalho, e a mochila pesada (em todos os sentidos Wink). O negócio é focar no terreno,  olhar para baixo, respirar fundo e não perder a trilha de noite. Depois de uns 2,000 pés de trilha nos chegamos num trecho com um monte de pedras, boulders. Paramos para descansar e tirar algumas fotos do dia que estava nascendo com um solzinho matutino banhando as montanhas, em especial o Johannesburg (ou J-burg para os mais próximos).  Eu entreguei a corda para o Perry e acho que fiz minha parte de mula de carga…

O boulder field era pra ter cerca de 1,000 pés mas tinha mais do isso…eu acho que deveria ter uns 1,500 de variação vertical no mínimo. Chegamos numa cachoeirazinha que tinha sol e eu comi o meu café da manha: Pão com Brie e Vegemite…delicioso e eu estava precisando das calorias…respirando o ar puro e frio da manhã, os meus pensamentos já estavam apaziguados e eu já estava imerso na experiência alpina. Só falava uma coisa: “Obrigado Papai do Céu!!!” – ninguém do meu time me entendia…aliás um time muito bacana de gente, adorei a experiencia com eles. Gente sem frescura e interessante, aqui vai um pequeno retrato de cada um:

– David, trabalha na MS acho que na parte de segurança, mas estudou Processos de Redes Neurais e como o cerebro funciona…fez mestrado e manja muito sobre o cérebro humano. Cientista nato…

– Emma: trabalha num shelter para crianças, estudou relações internacionais e se especializou em crianças de rua, morou em Buenos Aires e se envolveu com ONGs e Instituições Governamentais para o desenvolvimento de políticas e initiativas para melhoria da situação. Fala espanhol e estuda árabe (?)…ah e é acrobata com aqueles panos, manja?

– Mariana: é da Bulgaria e nunca tinha escalado nada até uns 5 meses atrás, fez o curso básico de montanhismo (o mesmo que eu ajudei na instrução) e agora já escalou os principais vulcões (Rainier, etc) e continua escalando. Muito bacana…

– Perry: é colega de faculdade da Emma e se mudou para Seattle em Agosto de 2010. Filho de pai chines e mãe  de origem européia (Sueca, alemã). fez mestrado em ciências da Terra (geologia, etc) e agora esta no doutorado na UW para estudar Glaciares na região da Antartica…em dezembro vai passar 2 meses na Antartica estudando.

Depois da area de boulder a gente chegou numa regiao de moraina (glaciar que rescindiu e deixou o terreno com pedras) com um mix de vegetação e pedras. Muito bacana o terreno. A gente teve que cruzar de um planalto para outro através de um colo e descer por “gully” bem facil de achar. Quando descemos estava quase lá…só faltava subir até o glaciar, cruzar uma área plana e fazer a parte final da pirâmide de neve através de um “knife-ridge” beem legal. O lance é que como a maioria da travessia seria num glaciar, a gente ia ter que se encordar para passar o campo de crevassas no glaciar. Nesta época do ano, as crevassas já estão normalmente bem abertas então é facil de localizá-las, mas nunca se sabe… (obs.:Um amigo meu fez o Glacier Peak há 3 semanas e caiu numa crevassa…o time estava preparado e ele estava encordado e foi prontamente resgatado usando uma z-pulley com roldana).

A escalada foi bem sossegada e o tempo estava lindo, com um pouco de vento e uma vista maravilhosa. Na parte final, nós colocamos 2 peças de proteção (piquetas como piquetas) visto que a neve estava consolidada, mas a exposicão era um pouco excessiva para ir totalmente free para o nível medio de experiência do grupo.

A volta foi sem maiores percalços, mas eu começei a ficar bem cansado na parte do Boulder. Acho que não foi o fato de guiar o glaciar, pois a neve estava bem boa, mas foi o fato de termos demorado muitas horas, às vezes cansa mais ir devagar do que ir um pouco mais rápido…vai entender. para mim 16 horas  é bastante e estou com dor na perna até agora (2 dias depois). Preciso fazer uns exercícios para manter a forma…foi um bom sinal.

Na volta cruzamos com várias Marmotas e uma delas (super gorda) deu as costas para a gente e nem se mexeu. A gente chegou bem do lado dela e falava: Dna Marmota, não ignora a gente não, olha para cá, blá, blá, blá…e ela nem aí. Até uma hora que o David chegou perto dela e falou: Dude, you are being an A**hole, turn around and look…e não é que a Marmota olhou de rabo de olho e saiu de mansinho…engraçadísimo.

Aqui vão os links das fotosL

David: http://www.facebook.com/album.php?aid=2576691&id=900214&l=f1ea7b4df4 (e tem o caminho do GPS com altitude e tempo aqui)

Emma: http://picasaweb.google.com/Emma.M.Sando/Eldorado8282010?feat=directlink

Mariana: http://www.facebook.com/album.php?aid=2046465&id=1504952041&l=d2bd4ade11

Namaskar!

MW

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