Pés Descalços

É amigos da rede Globo,

Comecei a fazer, pela primeira vez na vida, um treinamento específico para escalada. Não que eu acredite muito nisso, mas meu amigo Arthur fez e recomendou muito. Começou semana passada na segunda-feira e o primeiro treino abriu um pouco os meus olhos….

Logico que eu já fiz travessia no passado, mas normalmente era algo para aquecer os músculos antes de começar a escalar de verdade. O primeiro treino foi simples: 3 sessões de 20min de travessia, com intervalos de 7 min entre elas…alguns detalhes fazem a diferença: não vale descansar em diedro e não pode ficar 10 minutos parado des-tijolando, ah e não pode colocar o pé no chão…idealmente deve-se escalar entre 40 a 60% do máximo e não vale tijolar. Uma hora de parede em umas agarras grandes, parecia algo muito fácil para um treino de escalada…ledo engano. Quando terminei a primeira sessão, suava muito e meus braços estavam totalmente tijolados… os segundos 20min foram mais tranquilos, acho que já sabia quais eram as agarras-mãe agora a 3a. sessão parecia que meus tendões estavam sendo repuxados. Lógico que os 20 kg a mais na minha região abdominal pesaram, meus dedos fracos e a minha técnica enferrujada. Mas o interessante é que eu não sofri sozinho, os outros 2 clientes (um de 15 e outro de 17 anos) tambéms sofreram, mas nem de perto como eu. Para arrematar sessão de abdominal no final, 3 series com planck e crunching frogs…e um comentário do treinador: “Quero que vocês repitam este treino, no minimo 3 vezes durante esta semana…até segunda que vem!!” – na minha cabeça vinha uma palavra somente: como?

Hoje é o segundo treino, fiz as 3 vezes que ele pediu e ate que me senti bem na última vez…mas dá até medo do que vai ter hoje à noite.

Na sexta-feira antes de ir para casa, passei na REI e por acaso vi um livro de um moço falando sobre técnicas de corrida com o pé descalço (este daqui) dei uma lida rápida e achei muito interessante…durante muito tempo eu venho calçando sapatos e tênis, mas eu me lembro que quando morei na fazenda no interior de itapê, eu fazia tudo descalço. Fantástico pensei, vou tentar voltar a andar uma hora por dia com os pés descalços…

Ontem foi a primeira vez. Estava um solzinho bom de manhã, mas com algumas nuvens. Sai descalço para caminhar e sentir como é…levei uma mochila pequena com as papetes para se caso meus pés não aguentássem. Foi um experiência muito diferente que eu recomendo para todos ao menos algumas vezes. Foram 4 coisas que senti:

1. Facilidade de ficar no momento presente: assim como andar de bicicleta em São Paulo andar descalço fez com que a minha atenção ficasse 100% no que eu estava fazendo. Acho que pelo fato dos meus pés ainda não terem calos, eu tinha que decidir a cada passo onde eu iria pisar, e isso evitou a minha mente de divagar. O interessante é que andando mais devagar, eu consegui perceber mais o que estava acontecendo ao meu redor.

2. Turbilhão de sensações: com o sapato não existe conexão. Diferentes texturas e temperaturas sendo processadas a cada passo. É como se um mundo novo fosse aberto durante a caminhada…pequenas variações de rugosidade e de angulação são prontamente processadas.

3. Maior adaptação: como as sensações são mais ricas, a forma como o meu corpo adaptou a cada uma das condições foi muito interessante. Não é algo pensado, é muito rápido. Pedregulhos fizeram eu pisar com a parte da frente dos pés e de forma muito “leve”, lugares mais macios, como musgo, eu pisava com o pé inteiro e até apertava o chão com os dedos, na subida foi muito interessante pois automaticamente eu pisei com a parte da frente e estiquei a perna fazendo um “rest step” de forma intuitiva…para cruzar o tronco de madeira os pés seguram e até fazem um pouco de pressão. Parece que o equilíbrio da gente aumenta porque aumenta a resolução de pisada.

4. Maior liberdade: esta é contra-intuitiva. Eu pensava que sem os calos eu iria ficar limitado às calçadas…foi o contrário!! Sem os tenis eu andei dentro do lago, subi em arvores, andei na grama, no musgo, pisei na argila do rio, enterrei os pés na areia dentro da agua…tudo para experimentar algo que provavelmente meus ancestrais longíncuos sabiam de cor. Explorar o ambiente de forma irrestrita…

É lógico que eu me meti em encrenca. Hoje no segundo dia, andando na trilha ao lado do Ardmore park eu decidi que queria atravessar um riozinho passando por um tronco caído. Só que o tronco ficava uns 4 m do rio…chegando no final abri um caminho no mato para sair em uma rua que eu sabia que ficava ali perto. Estou andando na mata e começo a sentir uma sensação de queimação nas canelas e na altura do joelho…ah!!!! Poison-Ivy…eu estava no meio de uma plantação delas e agora estava tentando caminhar sem tocar em nenhuma. Lógico que foi impossível então fiz o que pude para andar em cima de árvores caídas no chão…até que cheguei no final da plantação…para ver que no final, tinha uma camada de uns 4 a 5 metros de blackberry (cheia de espinhos) para chegar na rua…e agora José? A festa acabou…eu nao queria voltar pelas chamas das Poison-Ivy. Demorei uns 5 minutos para bolar uma forma de passar pelas blackberries sem me furar inteiro…coletei gravetos e galhos e joguei por cima fazendo uma ponte que eu ia movendo através dos arbustos. No final deu certo, mas ainda estou com as queimaduras nas canelas e nos pés e pelo jeito elas duram 2 semanas Smile

Namaskar!

MW

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