Reflexões de quarta à tarde…

Eu tenho um experimento que quero contar…e ouvir de vocês.

Uma armadilha de mosquinhas de fruta (a famosa drosophila sp.)

Ela é muito simples e é baseada no fato das mosquinhas serem muito competentes

As moscas sentem o cheiro de frutas, vinhos e fermentados…muito bem…de muito longe.

As moscas estavam enchendo a minha cozinha ao redor do lixo. Então coloquei uma isca dentro de um copo com um funil de papel dentro. E no fundo do copo coloquei vinagre, água e detergente. A habilidade natural delas fazem com que elas sejam atraídas para a armadilha. Quanto mais eficiente a mosca, mais rápido ela cai na armadilha…

Em minutos o copo estava cheio de moscas, que ficam andando e se relacionando dentro do copo. Algumas estão procriando e ficam tentando colocar os ovos no composto fermentado que coloquei para atraí-las.

Eventualmente elas caem na água, com vinagre.

E acaba a existência delas. Algumas afundam na água pois não tem tensão superficial, outras se agarram ao copo de vidro e conseguem se arrastar pelas paredes para morrerem pelo efeito do vinagre, alguns segundos depois..

Algumas conseguem sair, mas são muito poucas. E as que conseguem, ainda passam por mais uma provação, pois estranhamente uma aranha minúscula fez a teia dela na entrada do funil…ela soube onde fazer a teia. Sorte? Instinto? 

As moscas ficam o dia inteiro andando, voando e às vezes entram no buraco do funil por onde poderiam sair, mas sem saber, andam ou voam de volta para o copo. As moscas que estão fora continuam entrando, mesmo depois de 4 dias e algumas dezenas de corpos de moscas mortas estarem nas paredes do copo e acumuladas no líquido.

A existência delas dentro da armadilha é miserável e curta, mas não sei se elas reconhecem, pois parecem muito ocupadas com o que estão fazendo. Acho que umas 100 moscas já entraram no copo, acho que umas 3 saíram e conseguiram passar pela aranha. E provavelmente devem ter voltado ao copo, achando que o fermentado era comida…e provavelmente morreram.

Qual o objetivo da nossa existência? Somos irrelevantes como as moscas do meu experimento?…ocupados com nós mesmos e com os nossos relacionamentos, até que caímos na água sem tensão superficial ou tentamos nos arrastar para morrer um pouco depois. Da terra nascem outros seres que se apropriam dos nossos elementos, assim como um dia nos apropriamos de vida alheia para criar o nosso corpo físico…e o ciclo se repete, ad eternum.

No meu experimento, eu não coloquei nenhuma banana no copo, mas se eu colocasse, algumas moscas iriam depositar os ovos na banana, que iria ser consumida pelas larvas que eventualmente iriam se desenvolver em moscas. Uma geração inteira dentro copo, dez gerações dentro do copo, mil gerações dentro do copo…As larvas consumindo o composto de banana fermentado misturado com os corpos de gerações e gerações de moscas mortas. A matéria se transmutando…como na terra. E eventualmente o copo, com todos os perigos e armadilhas, virou a normalidade.

Quais são as nossas habilidades extraordinárias que ao mesmo tempo aprisionam a nossa alma?

Como depois de milhares de vidas, conseguiremos livrar-nos e a todos, nem que seja um milímetro por vida do copo kilométrico que nos cerca?

Namaskar!!!

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